44% de brasileiros que querem emagrecer com remédios não têm indicação médica, aponta levantamento inédito de Healthtech Britânica
Todo início de ano traz a mesma promessa para muitas mulheres: emagrecer, cuidar melhor do corpo e retomar hábitos deixados de lado pela rotina.
A intenção é legítima, mas os números mostram que transformar esse desejo em prática ainda é um desafio. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da World Obesity Federation, apontam que 68% dos adultos brasileiros convivem com excesso de peso, índice que tende a crescer nos próximos anos.
Entre jornadas duplas, cobranças estéticas e pouco tempo para si, muitas mulheres acabam desistindo no meio do caminho.
Para a nutricionista Fernanda Lopes, da Six Clínic, plataforma online voltada ao cuidado em obesidade e sobrepeso, o problema não está na falta de força de vontade, mas na ausência de estrutura.
“A readequação do peso não acontece por atalhos. Ela exige método, regularidade e decisões que se adaptem à dinâmica real de cada pessoa”, afirma.
A especialista aponta cinco ajustes realistas para que a promessa de cuidar do corpo não fique restrita aos primeiros meses do ano.
Buscar acompanhamento profissional
Tentar fazer tudo sozinha é um erro comum. “A mulher até muda a alimentação e tenta incluir exercícios, mas sem orientação acaba errando nas quantidades, nos nutrientes ou exagerando na cobrança”, explica Fernanda.
Segundo ela, o suporte profissional ajuda a evitar frustrações e interrupções precoces no processo.
Com o avanço do atendimento online, esse cuidado se tornou mais acessível.
“Hoje é possível ter acompanhamento contínuo, revisões frequentes e orientação personalizada sem precisar se deslocar, o que facilita muito a adesão”, pontua.
Organizar a alimentação sem entrar em dietas restritivas
Reduzir calorias não significa passar fome. De acordo com a nutricionista, o plano alimentar precisa respeitar rotina, preferências e horários.
“O foco está em organizar refeições, equilibrar nutrientes e evitar longos períodos de restrição, que favorecem episódios de compulsão”, afirma.
Ajustes simples, como melhorar a distribuição das refeições ao longo do dia e aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade, fazem diferença.
“São mudanças possíveis, que sustentam o processo sem sofrimento”, reforça.
Escolher uma atividade física que caiba na rotina
Outro ponto importante é abandonar a ideia de que só a academia funciona.
“O melhor exercício é aquele que a mulher consegue manter”, orienta Fernanda.
Caminhadas, treinos em casa, atividades ao ar livre ou programas acompanhados remotamente podem ser adaptados conforme o dia a dia.
“O corpo responde à frequência, não a esforços intensos feitos por pouco tempo”, afirma.
Criar horários mais regulares para as refeições
Entre trabalho, casa e família, muitas mulheres acabam comendo em horários totalmente irregulares.
“Isso desorganiza o organismo e pode aumentar a fome intensa e as escolhas impulsivas”, explica.
Segundo a especialista, estabelecer horários aproximados para as principais refeições ajuda o corpo a se regular. “Mesmo sem mudar o cardápio, essa previsibilidade melhora a percepção de fome e reduz beliscos fora de hora”, diz.
Contar com apoio para não desistir
O ambiente também influencia diretamente na constância.
“Grupos de apoio, comunidades online ou programas acompanhados ajudam a reduzir o abandono”, afirma Fernanda.
Para ela, a troca de experiências faz com que a mulher se sinta menos sozinha diante das oscilações naturais do processo.
“Quando há suporte profissional e coletivo, o cuidado deixa de ser uma promessa pontual e passa a fazer parte da rotina”, conclui.









